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De: 19/02/2015

“Festa do povo? Só se for festa com o dinheiro do povo”, critica Arolde sobre Carnaval

Deputado questionou as relações diplomáticas do Governo Dilma e ditador da Guiné Equatorial

Deputado questionou as relações diplomáticas do Governo Dilma e ditador da Guiné Equatorial. (Foto: Heleno Rezende)

O 13º título de campeã do Carnaval do Rio de Janeiro à escola de samba Beija-Flor, de
Nilópolis, na Baixada Fluminense, serviu para uma enxurrada de críticas da opinião
pública. Segundo denúncia do jornal O Globo, o enredo campeão exaltando a Guiné Equatorial
teve o preço de R$ 10 milhões investidos pelo ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, há 35
anos no poder no país africano.

Para o deputado federal Arolde de Oliveira, esse tipo de apoio mostra o desrespeito às
instituições e a crise ética do governo do PT, que se aproximou bastante do ditador. O
fluxo de comércio entre o Brasil e a Guiné Equatorial se multiplicou, saltando de US$ 3
milhões em 2003 para cerca de US$ 700 milhões em 2012. Nesse período, o ditador Obiang
tornou-se um “caro amigo” do ex-presidente Lula.

“Esse é o mecanismo de sustentação financeira do Partido dos Trabalhadores (PT). São
empréstimos internacionais financiados pelo BNDES e concedidos pelo governo brasileiro
através de cláusulas de confidencialidade. É o mesmo mecanismo e com o mesmo dinheiro sujo
que o PT utilizou nos casos do Mensalão e Petrolão. E o articulador de tudo isso é Lula,
depois que saiu da presidência. Festa do povo? Só se for festa com o dinheiro do povo”,
acusa o parlamentar.

Teodore Obiang, ditador da Guiné Equatorial; Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda; E Dilma Rousseff, Presidente do Brasil em relação amistosa. (Foto: Reuters)

A Guiné Equatorial de Teodoro Obiang foi um dos países que tiveram sua dívida com o Brasil
anistiada em agosto de 2013, num perdão que custou R$ 1,9 bilhão. O país africano era um
dos quatro maiores devedores do grupo de doze países perdoados, com uma dívida de R$ 27
milhões que estava pendente há duas décadas.

“Perdoar dívidas com esses governos ditatoriais, facínoras e com acusações de desrespeito
aos direitos humanos, incluindo genocídio, é mostrar o perfil da nossa presidente. Não foi
uma ajuda ao povo da Guiné, foi um simples jogo de benefício político e diplomático com
essa ditadura”, acusa Arolde, citando as acusações de desrespeito aos direitos humanos
feitas pela ONU e as investigações em tribunais da Europa e dos Estados Unidos sobre a
ditadura do clã Obiang, a mais antiga de todo continente africano.

O deputado federal já havia criticado, em 2013, o perdão das dívidas por conta das
acusações de crimes aos direitos humanos destas ditaduras. “É preciso, até por questões de
direitos humanos, que o Brasil não se relacione com esses países. Essa vocação para ter
relações com ditaduras tem que acabar”, disse em pronunciamento na Câmara dos Deputados na
época. “Estamos nadando em dinheiro?”, questionou da tribuna.

A quantia perdoada é ínfima diante da fortuna dos Obiang. O presidente se destaca entre os
oito governantes mais ricos do planeta, segundo a revista “Forbes”. Integrante da comitiva
que prestigiou o Carnaval do Rio em camarote luxuoso, o filho do ditador, Teodorín Obiang,
gastou mais que o dobro da dívida entre os dois países em uma única noitada de compras na
Christie’s, em Paris. Foi durante o leilão da extraordinária coleção de arte de Yves Saint
Laurent e Pierre Bergé, em 2009, também segundo reportagem de O Globo.

(O Globo/Redação)

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