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De: 11/10/2018

Arolde de Oliveira, uma surpresa na carona de Bolsonaro e das redes sociais

Eleito senador após nove mandatos de deputado federal, Arolde de Oliveira (PSD) credita a vitória à estratégia

*matéria publicada pelo jornal O Globo

No dia seguinte à sua eleição para senador pelo Rio de Janeiro, com 17% dos votos válidos, Arolde de Oliveira (PSD) chegou ao seu gabinete no Centro e teve uma recepção calorosa de seus funcionários, aos gritos de “Arolde é senador!”. Fora das pontuações registradas pelos institutos de pesquisa, com um crescimento nas última 72 horas da campanha, ele bateu nomes tradicionais, como Cesar Maia (DEM) e Lindbergh Farias (PT). Evangélico e fundador de um grupo de comunicação especializado em música gospel, Arolde diz que baseou sua campanha na proximidade com a família Bolsonaro, nas redes sociais e nas igrejas evangélicas.

— A gente fez uma campanha para ganhar, então recebemos a vitória com serenidade — diz ele. — Todo o material indicava os dois senadores; além do rádio e da televisão, no horário gratuito eleitoral, fizemos um trabalho profundo nas redes sociais.

Apesar de ser de uma geração muito anterior à política na internet — “antes era analógico, só com os cabos eleitorais”, diz —, Arolde gosta de discursar sobre sua atuação nas redes.

— Nós vivemos numa transição para o mundo digital — diz . — Escolhemos discursos, mensagens sintonizadas com o pensamento conservador, com o evangélico e as necessidades e anseios regionais. Nós alcançamos, no estado do Rio, para dar um exemplo, pouco mais de sete milhões de pessoas no Facebook e Instagram. Esse alcance, na realidade, levou cerca de 70 milhões de impressões. Qual é o significado disso? Que cada pessoa recebeu pelo menos dez mensagens do Arolde.

Ele cita, inclusive, números sobre o conservadorismo no Brasil, que seria a opção de uma grande maioria, normalmente silenciosa.

— Oitenta e cinco por cento do Brasil são conservadores — decreta. — Para isso, não precisa nem fazer pesquisa, nada. É só você estudar a história do Ocidente.

Arolde nasceu em São Luiz Gonzaga (RS), em 1937, passou pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) e se formou engenheiro pelo Instituto Militar de Engenharia (IME). No Rio, já foi secretário municipal de Transportes (na gestão de Cesar Maia, seu adversário nas urnas) e secretário estadual do Trabalho.

Para ele, o conservadorismo estaria sendo “vocalizado” nas urnas.

— O conservador é conservador até no comportamento, ele é tranquilo — avalia. — O ativista é justamente aquele que quer desconstruir. Então, tem feminismo, LGBT, temos os bolivarianos, todos são ativistas para desconstruir. O conservador é conservador. Tá na dele, é a maioria. Até que um dia desperta. Eu acho que essa maioria despertou agora.

Além da proximidade com a família Bolsonaro — principalmente Flávio, senador eleito com ele, e Jair, candidato à Presidência —, Arolde revela seu apoio ao ex-juiz Wilson Witzel, outra surpresa da eleição no estado do Rio, que concorre com Eduardo Paes ao governo do estado após ter obtido 41% dos votos no primeiro turno, mais do que o sobro de seu adversário.

— Vou com o juiz, porque ele está dentro desse nosso programa — diz. — E o meu projeto foi todo fechado com o Jair Bolsonaro, é o projeto dele. Então, até por uma questão de coerência, ética, eu tenho que ficar com ele.

Nas ruas e nas redes, Arolde esteve sempre perto de Flávio Bolsonaro, “colado mesmo”, segundo ele, que não contou com a companhia de Jair.

— Quando íamos fazer campanha com ele, no começo de setembro, ocorreu aquele acidente (o atentado em Juiz de Fora, quando o candidato à Presidência foi esfaqueado), aí ele saiu fora e ficamos os dois andando pela rua — lembra o senador eleito. — O Jair já havia gravado um vídeo indicando os dois como seus candidatos ao Senado no Rio. Postado nas nossas redes sociais, esse vídeo teve mais de três milhões de visualizações.

Embora o trabalho nas igrejas evangélicas seja historicamente parte importante de sua carreira na política (“é o segmento mais identificado comigo”), ele avalia que os outros dois pilares foram mais importantes para a vitória.

— A parceria com o Jair e essa dobra para o Senado com o Flávio foi decisiva — classifica. — Eu diria que foi metade do sucesso, e as redes sociais foram a outra metade. O resto foi desenvolvimento de operacionalização.

Apesar do discurso “técnico”, ele revela que sua campanha não teve a assinatura de um marqueteiro .

— Nós somos os responsáveis: eu e o Paulinho (Paulo César Vieira, chefe de gabinete) — diz. — Não temos marqueteiro, porque nesse mundo desintermediado , ele passa ser o intermediador e atrapalha. Começa a dizer como o candidato tem que se portar, aí o transforma num fantoche. E na rede social você tem que ser como é, na sua verdadeira grandeza.

Aos 81 anos, com cerca de quatro décadas de vida público, Arolde não deixa de desfraldar a bandeira do conservadorismo, que sempre carregou.

— O deputado representa a população — começa. — O senador, a federação, o estado, mas também não deixa de ser um legislador. Nesses 36 anos como deputado, a minha postura foi sempre defendendo a vida, a família, contra aborto, ideologia de gênero. Depois também veio a escola com partido. Também sou contra.

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