Arolde de Oliveira alerta Senado sobre omissão frente o STF
Senador afirmou ter seu sigilo bancário quebrado devido uma postagem de rede social
O senador Arolde de Oliveira falou sobre a inclusão de seu nome em investigação, feita pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, na sessão plenária do Senado Federal, na terça-feira (30). O parlamentar afirmou que teve seu sigilo bancário quebrado por causa de um post no Twitter, definindo a ação como abuso de poder por parte do ministro.
O parlamentar disse as seguintes palavras:
Tag: abuso de poder, Democracia, JustiçaQuero registrar a absurda atribuição a mim feita pelo senhor Alexandre de Moraes para justificar a inclusão do meu nome entre os investigados no inquérito 4828, decidindo pela quebra da minha privacidade financeira.
Trata-se da seguinte mensagem que postei, organicamente, nas redes sociais da internet, no dia 26 de março:
Vejamos o que diz o artigo 53 da Constituição Federal:
“Artigo 53, Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos.”
Ainda a Constituição Federal, ao final do caput do artigo 142, referindo-se às atribuições das Forças Armadas, assim se expressa:
As imunidades dos Deputados e Senadores persistem mesmo quando direitos individuais e coletivos são suspensos como é o caso do Estado de Sítio:
Depreende-se, portanto, que não existe nessa postagem qualquer indício de ilegalidade que justifique a escandalosa violação jurídica da minha privacidade.
Posso afirmar, como Deputado Federal que fui, por nove mandatos consecutivos, e como integrante da Assembleia Nacional Constituinte, que causa perplexidade a impropriedade da interpretação do texto Constitucional feita pelo senhor Alexandre de Moraes.
Como cidadão, eu exerci o meu direito constitucional à liberdade de expressão.
Como Senador da República, manifestei minha opinião e procurei tranquilizar as pessoas indicando que a Carta Magna prevê ações de controle do caos através das Forças Armadas. Ao final, estranhamente excluído da mensagem no processo, externo meu lamento e tristeza pela possibilidade de se chegar a uma situação caótica.
Foi essa apenas a motivação jurídica para a inclusão do meu nome como investigado no inquérito das “ações antidemocráticas”.
Estou à disposição da justiça e desejo ser chamado o mais rápido possível para prestar os esclarecimentos cabíveis, e entender onde existe prática antidemocrática na mensagem que postei.
Isto posto, é preciso fazer uma reflexão contextualizada sobre a carga recente de decisões monocráticas de Ministros do STF, onde, salvo melhor juízo, existem indícios de abusos de autoridade, ilegalidades e direcionamentos políticos, sinalizando para a quebra da independência e da harmonia entre os Poderes da República.
É preciso também fazer uma reflexão sobre o papel do Poder Legislativo, principalmente do Senado Federal, diante de fatos tão contundentes e da percepção clara da nação que se manifesta democraticamente, exigindo apenas, que deixem o Presidente da República governar.
O silêncio reforça a percepção popular de omissão, a omissão pode ser interpretada como concordância, e a concordância pode conter viés de cumplicidade.
Como esse não é o caso, é urgente que o Congresso Nacional encontre, serena e equilibradamente, uma forma de se manifestar.
Deus abençoe nosso Brasil.